Reciclarbono: pagamento de créditos de carbono voluntário para catadores é reconhecido com um projeto pioneiro no Brasil
- Ibraparc
- 13 de jun.
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Um cheque de 60 mil reais entregue durante o 1º Encontro Nacional do Ministério Público, Catadoras e Catadores de Materiais Recicláveis, realizado pela Abrampa , Associação Brasileira dos Ministérios Públicos e pelo Ministério Público em maio, em Vitória no Espírito Santo marcou uma nova etapa no projeto Recilcarbono. O cheque foi entregue a Daniel Obelar, presidente da rede de Cooperativa de catadores de Mato Grosso do Sul. “Esse pagamento é uma pré venda dos créditos, duas empresas já acreditam no projeto e no valor social, ambiental e climático e estão fazendo esse primeiro aporte. Assim que os créditos forem emitidos eles terão o valor desse aporte revertido em créditos de carbono voluntário”, explicou a coordenadora do Recilcarbono, Bruna Gonçalves.
É um passo pioneiro e importante para uma nova fase na busca por remuneração justa e reconhecimento do trabalho dos catadores ao evitar a emissão de gases de efeito estufa. Para a presidente do Ibraparc, Maira Portugal, esse primeiro pagamento é uma conquista que revela a credibilidade do trabalho feito em Mato Grosso do Sul que já se tornou referência nacional pelo pioneirismo. “Esse primeiro passo é muito importante porque é a consolidação do projeto. Eu vejo que o crédito de carbono é um olhar para os catadores e aqui a gente consegue valorizar o trabalho deles. Todo os dias eles fazem o trabalho de reciclagem e a gente consegue contabilizar, por meio de uma metodologia que segue os processos e regras internacionais, para quantificar as toneladas de carbono evitado e com isso calcular a quantidade de crédito de carbono que pode ser gerada a partir desse trabalho na reciclagem”. Segundo Maira Portugal, “mais que reconhecer o trabalho dos catadores, como o trabalho deles diminui a emissão de gases de efeito estufa, precisa ser quantificado e pago por isso.”. O projeto Recilarbono, idealizado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul junto com o Ibraparc vai além de um projeto de pagamento de créditos de carbono, é um projeto que trata da justiça climática e social.
“O catador de material reciclável presta serviço aos municípios, tira dos aterros e dos lixões materiais que ficariam lá anos para se deteriorar gerando emissões. A gente deixou muito claro que o Ministério Público vai trabalhar junto com os catadores para que eles sejam reconhecidos e contratados por esse serviço público.” Explicou o promotor de justiça e presidente da Abrampa, Luciano Loubet. Loubet disse ainda que “O primeiro pagamento de crédito de carbono para catadores de materiais recicláveis feito no mundo é um avanço na agenda de remuneração e reconhecimento dos catadores.”
O projeto criado em Mato Grosso do Sul quantificou quanto de CO2 os trabalhos dos catadores e catadoras de 10 cooperativas e associações evitou ser lançado na atmosfera. Essa quantificação, feita segundo os protocolos internacionais chegou a mais de 20.000 toneladas de carbono evitado em um ano. Pelo projeto, essa tonelagem será revertida em créditos de carbono que serão negociados no mercado voluntário. Um grande avanço para melhorar a remuneração dos catadores e catadores das associações e cooperativas do estado.
O projeto Reciclarbono teve mais um reconhecimento, desta vez foi o vencedor do IV Prêmio Ypê Aamarelo de Meio Ambiente promovido pelo CREA-MS. Ganhou em primeiro lugar na categoria Organziação da Sociedade Civil como exemplo de iniciativa relevante para a promoção da sustentabilidade e preservação do meio ambiente.
No ano passado o atual ministro do Meio Ambiente e da Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, participou do lançamento oficial do projeto Reciclarbono em Campo Grande, quando ainda ocupava a pasta de secretário executivo do MMA. Capobianco se encantou com o projeto criado e implantado em Mato Grosso do Sul. Ele falou sobre isso diversas vezes, já como ministro, ressaltando o pioneirismo do Ibraparc como exemplo a ser seguido no Brasil “Mais do que geração de recursos, há uma clara conexão entre este trabalho e a mudança do clima. O tratamento adequado dos resíduos gera um benefício direto para a mitigação dos efeitos climáticos. Isso é muito importante, muito bacana. É um belíssimo projeto que cria a possibilidade de, além do pagamento de serviços ambientais e pela reciclagem, também beneficiar os catadores e catadoras com crédito de carbono.” Declarou o Ministro Capobianco.
Ver a inciativa pioneira, que nasceu em Mato Grosso do Sul ganhar reconhecimento e despertar o interesse de outras regiões do país, nos traz muito orgulho e certeza de que a busca pela valorização e remuneração do trabalho dos catadores e catadoras é mais um passo para alcançar a justiça climática e social.



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