Primeiro lugar no Prêmio Ipê Amarelo de Meio Ambiente do CREA-MS

O que faz um projeto se destacar em meio à tantas iniciativas??
Essa pergunta nos faz refletir sobre propósito. Por que e Para quem estamos trabalhando. Em busca de respostas sobre qual o papel da sociedade na busca de alternativas para melhoria da qualidade de vida da população, e principalmente, em como reconhecer e remunerar uma categoria tão invisibilizada no Brasil, surgiu o Reciclarbono, o primeiro projeto no Brasil e inédito no mundo a pagar créditos de carbono diretamente para catadores de materiais recicláveis.
Em junho, conquistamos o primeiro lugar na categoria Organização da Sociedade Civil na quarta edição do Prêmio Ipê Amarelo de Meio Ambiente. O reconhecimento é importante e nos motiva a seguir sempre em busca de alternativas. Mas saber que somos hoje referência nacional no quesito inclusão social e pagamento de crédito de carbono para os catadores, é a nossa maior conquista.
Quando em casa ou na empresa as pessoas descartam materiais, nem sempre pensam qual a destinação dada aos resíduos. Mas existe um batalhão silencioso que trabalha nas cooperativas e associações de catadores e catadoras de materiais recicláveis que dia após dia retiram da natureza toneladas de materiais e destinam à reciclagem. Esse trabalho, além da função ambiental, traz em sua essência algo muito maior: as pessoas ali também são agente de mitigação climática. Isso mesmo: evitam que novos materiais sejam produzidos usando matéria prima primária, alimentar a cadeia da reciclagem é também evitar a emissão de CO2 um dos principais gases de efeito estufa que aceleram as alterações climáticas.
Pensando nisso e buscando mais uma fonte de renda para essa categoria de catadores e catadoras de materiais recicláveis, nasceu o Recilarbono, coordenado pelo Ibraparc e Ministério Público de Mato Grosso do Sul. “O Ibraparc ele nasce de uma oportunidade que conecta a experiência com campo prático, e acredito que a preservação ambiental ela pode caminhar junto com geração de oportunidade; O Prêmio que o Reciclarbono recebeu do Crea/MS demonstra a miss]ao que o Ibraparc tem em conectar ciência, inovação e inclusão social”, explicou a presidente do Ibraparc, Maira Portugal.
A equipe do Ibraparc percorreu 10 cooperativas e associações de catadores e catadoras em Mato Grosso do Sul para conhecer o trabalho, realizar as métricas de carbono evitado e usando protocolos internacionais, conseguimos quantificar a quantidade de carbono que se evitou lançar na atmosfera a partir do trabalho dos catadores e catadoras. O número foi surpreendente: mais de 20.000 toneladas de CO2 deixaram de ser emitidas em dois anos graças ao trabalho de mais de 250 pessoas nas cooperativas e associações que reciclaram materiais descartados pela sociedade.
O projeto idealizado pelo promotor Luciano Loubet, Mestre e Doutor em Direito Ambiental, nasceu na necessidade de reconhecer a importância dos serviços ambientais prestados pelos catadores ao reciclar toneladas de materiais, e de melhorar a remuneração desses trabalhadores. Segundo o promotor, “Para cada tonelada de material que eu reciclo eu evito a retirada da natureza de matéria prima para produção ou fabricação desses produtos. É o que chamamos de carbono evitado. Isso pode ser uma nova de renda para os catadores. Nós fizemos uma junção de forças de várias instituições para quantificar a tonelagem de carbono equivalente a partir da quantificação das toneladas de materiais reciclados, nos baseamos nos dados do SISREV (Sistema de Logística Reversa) que controla tudo que chega nos aterros e emite nota fiscal sobre a quantidade recolhida, e com certificação seguindo os protocolos internacionais, vamos buscar a venda voluntária de créditos de carbono gerados pelas cooperativas e reverter esse dinheiro para os catadores.”
A coordenadora do Projeto Reciclarbono, a engenheira ambiental Bruna Gonçalves explicou que “O Reciclarbono ele vem no intuito de trazer o crédito de carbono vinculado às cooperativas, à questão dos resíduos sólidos incluindo os catadores para ser mais uma remuneração para os catadores de materiais recicláveis que hoje recebem menos de um slário mínimo, pra ter a complementação dessa renda através da venda do crédito de carbono de uma tonelada justa. então o crédito de carbono ele não tem só o impacto ambiental da questão de sequestro de carbono. mas ele tem também o impacto social na vida de cada um dos catadores que são envolvidos nesse projeto.”
Pela importância social e ambiental, o Recilcarbono recebeu esse reconhecimento conquistando o Prêmio Ipê Amarelo promovido pela Comissão de Meio Ambiente e Sustentabilidade do CREA/MS.
Este ano a premiação destacou 35 projetos ambientais desenvolvidos por profissionais, estudantes, instituições públicas e privadas de Mato Grosso do Sul. “O Prêmio Ipê Amarelo nasceu justamente para reconhecer iniciativas que contribuem para esse equilíbrio e ajudam a construir um futuro mais sustentável”, pontuou Vânia Mello presidente do CREA/MS.
Nós do Ibraparc, somos gratos à todos que de alguma forma fizeram essa ideía sir do papel e se tornar realidade trazendo o pagamento de créditos de carbono para catadores e catadoras de materiais recicláveis com base em uma tonelada justa, inclusão social e reconhecimento da importância dessas pessoas na mitigação dos efeitos da crise climática.



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